Mais um Carnaval sem a lendária City Banda, que desfilava pelo Cambuí

Um dos últimos desfiles da City Banda, que por anos percorreu o Cambuí e depois foi para a Praça Arautos da Paz (Foto Martinho Caires)

O Carnaval está chegando, haverá desfiles de vários blocos já neste sábado, dia 31 de janeiro de 2026, e mais uma vez Campinas ficará sem a festa da lendária City Banda, que por vários anos percorreu e distribuiu alegria nas ruas do Cambuí, antes de se transferir para a Praça Arautos da Paz. Campinas ganhou muitos blocos de Carnaval de rua nos últimos anos, mas a City Banda tinha uma dimensão e uma aura especial. Mais uma perda na história do Carnaval campineiro.

Tudo começou em uma tarde/noite de 1994, em uma mesa do tradicional City Bar, no festeiro bairro do Cambuí. No primeiro desfile, em 1995, foram não mais que 500 foliões. No ano seguinte já foram mais de 4 mil e o número não parou de crescer.

Durante 22 anos o desfile da City Banda aconteceu nas ruas do Cambuí e sempre terminava no Centro de Convivência Cultural. Com o tempo, as ruas do Cambuí ficaram pequenas para receber a multidão de foliões e a partir de 2017 o desfile da City Banda passou a acontecer na Praça Arautos da Paz, no bairro Taquaral, cuja geografia é capaz de receber os milhares de adeptos. Foram 50 mil foliões no Carnaval de 2018.

Ao longo de sua trajetória, a City Banda fez homenagens memoráveis a verdadeiras lendas do samba. Entre outros, a City Banda rendeu tributo a Jamelão. Nos últimos desfiles, foram feitas homenagens a expressões locais do samba, como a cantora Ilcéi Mirian e o bloco Nem Sangue Nem Areia. Sempre existiu uma permanente preocupação, portanto, em contribuir para a preservação e valorização das mais legítimas matrizes culturais afro-brasileiras.

Depois de passar por um período de declínio, o Carnaval de Campinas foi revitalizado pela City Banda, que com o tempo se tornou uma Confederação de Blocos, reunindo vários grupos de foliões. Assim Campinas tornou-se referência em Carnaval de rua, muito antes da proliferação de blocos ocorrida nos últimos anos em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo e também em solo campineiro.

A pandemia e outros fatores levaram ao fim da City Banda. O Carnaval de Campinas perdeu muito, mas resiste, como demonstram as dezenas de blocos que vão desfilar a partir deste sábado no pré-Reinado de Momo. O Nem Sangue Nem Areia, por exemplo, na Vila Industrial, que resgatou os desfiles de outro bloco lendário, tem chamado cada vez mais atenção e adeptos. No Cambuí, continuará a sua história o Bloco do Bob. Ambos no dia 8 de fevereiro, domingo.

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